INDIES DOES WHAT THIRDON’T!

Primeiramente, leiam esta maravilhosa notícia:

http://www.wii-brasil.com/noticia.php?id=44418

Graças à Nintendo Web Framework e o suporte à engine gráfica Unity, o Wii U abriu um mundo de possibilidades para os dedenvolvedores independentes ao redor do mundo, os chamados “indies”, permitindo que notícias como a acima se tornassem realidade. Neste momento, há cerca de 50 jogos em desenvolvimento para Wii U usando Unity, realizando o sonho de muitos desenvolvedores pequenos em lançar seus próprios jogos em um console da Nintendo, e acredite em mim, este já é um sonho antigo de muita gente, muita gente mesmo!

É claro que com uma notícia esplêndida dessas os fãs da Nintendo elogiariam o largo suporte que a empresa está dando aos pequenos desenvolvedores, certo? Desde que no Wii a Nintendo havia criado condições muito estritas e proibitivas, nós veríamos as opções de jogos aumentarem para que qualquer um pudesse escolher os mais chamativos para eles e comprar, veríamos pequenos estúdios arriscando em novas formas de se jogar com o Game Pad, uma das principais exigências de muitos donos de Wii U, certo??

ERRADO!! Sim! Errado! E eu vou explicar o porquê: Vivemos atualmente uma geração dominada pela gula, uma geração dominada por gamers que nunca estão satisfeitos, estão sempre querendo mais, estão abraçando mais a quantidade do que a qualidade, mais do que isso, estão trocando o arroz e feijão pelo Big Mac só por causa da quantidade de ingredientes e não dando a mínima pela qualidade dos mesmos. O que essas analogias à comida tem a ver com o discurso? Direto ao ponto agora, o fato de que esses gamers gulosos não estão contentes com o suporte indie do Wii U! Por que? Simplesmente por serem jogos indies! Porque os jogos indies não tem a mesma pompa de um Call of Duty ou Assassin’s Creed ou mesmo um first party triplo A da Nintendo. Também porque se associa muito a definição de jogos indies à jogos que abusam demais do estilo retrô ou direção de arte simplística, o que vai totalmente na contra-mão daquilo que não só o fanboy da Nintendo mas o típico hardcore quer em um jogo moderno: Gráficos, pouca cor, clima cinzento, hiper realismo, protagonista masculino portando uma arma branca ou de fogo, músicas pesadas e lentas… Talvez eu esteja exagerando aqui, mas é que gamers gulosos realmente selecionam seus games tomando o visual como fator determinante. Tente imaginar um jogador nesse perfil que seja fã de jogos violentos, apresente à ele o jogo Hotline Miami (PC, PS3, PS Vita, Mac OS e Linux), um jogo tão violento quanto um filme do Paul Verhoeven (RoboCop, O Vingador do Futuro, Tropas Estelares, O Homem sem Sombra), você acha que ele vai se interessar pelo game só por causa da tremenda violência gráfica existente na gameplay e/ou por causa da história envolvendo máfias e chacinas? Não, meu amigo, ele não vai se interessar e aqui está o motivo em duas palavras: VISUAL RETRÔ! Podes ter certeza que ele vai odiar o fato de o jogo ser em 2D, a visão por cima, o estilo artístico semelhante à um jogo de Super Nintendo, ele não vai se importar nenhum pouco pra qualquer outra coisa que o jogo tem a oferecer unicamente por ser um jogo “feio e ‘ruim'”.

Então, qual é o meu objetivo com este texto? Defender o suporte indie do Wii U? Bom, sim e não. Se por um lado eu comemoro e aprecio as desenvolvedoras independentes trazendo seus trabalhos para um console Nintendo em grande quantidade e recebendo um convidativo suporte, por outro lado eu prezo pela qualidade e valor que tal jogo tem a oferecer, apoiar o cenário indie do Wii U não significa que eu vou comprar qualquer coisa que aparecer na eShop (e eu estou colocando isso porque pessoas realmente estão pensando isso de mim quando eu venho com esse discurso). É tudo questão de contexto, eu vou selecionar um jogo indie da exata mesma forma que eu seleciono um jogo first ou third para comprar, primeiro eu tenho que manifestar meu interesse através de imagens, um trailer ou uma descrição com palavras, depois procuro saber a qualidade do jogo às vezes esperando o lançamento do jogo e o feedback dos usuários para só então concluir se eu compro ou não. Ainda seguindo o mesmo contexto, é claro que eu concordo absolutamente que o Wii U também precisa de muitos jogos first e third parties de qualidade, é impossível negar isso, mas basta pegar os três grupos de jogos e ver que ambos precisam ter algo em comum para produzir um efeito benéfico ao consumidor: QUALIDADE! Essa é a palavra chave aqui! Mais importante do que o jogo ser first, third ou indie, é importante acima de tudo a qualidade. Infelizmente, o senso comum do gamer guloso só e capaz de associar qualidade ao fabricante do game, o que leva a outro fator de rejeição aos jogos indies: O fato de serem feitos por “totais estranhos” (e conste que isso é apenas modo de dizer), muitos indies são feitos por estúdios pequenos, estúdios informais ou até mesmo grupos de 2 a 7 pessoas, e não importa se estes dão providências de demonstrarem sua credibilidade, para um gamer guloso mais vale o fato do que a intenção!

Agora entramos na parte aonde eu justifico o título deste texto, o motivo crucial pelo qual eu aprecio tanto o suporte indie ao Wii U. Os indies não estão encontrando as mesmas frescuras que as grandes companhias encontram quando relutam em trazer seus multiplataformas para o Wii U, os indies não inventam frescuras ou desculpas esfarrapadas para não trazerem seus jogos para o Wii U, é como se fosse uma alfinetada direta ao descaso das third parties para com o console da Nintendo e é um tanto quanto divertido ver isso, para cada multiplataforma que uma third nega ao Wii U, cinco jogos indies são anunciados.

Outro bom motivo para eu defender o suporte indie é o imenso potencial de mercado criado por estes jogos desde o seu boom em popularidade no começo da VI geração, não somente isso mas, acredite, este mercado tem o potencial para evitar um novo crash na indústria, ou pelo menos sobreviver à um, por causa da quantidade de conteúdo sendo criada a todo momento. E se você ainda não acredita que o mercado indie tem potencial, olhe para alguns dos grandes desenvolvedores e ex-funcionários de grandes companhias, todos eles abandonaram seus empregos em prol de começarem seus estúdios próprios, não só pelo dinheiro, mas também por melhoras na liberdade criativa. O mercado indie protege a indústria de jogos de uma iminente estagnação, muitas produções deste grupo poderão se sobressair entre as grandes produções quando chegar o dia em que as pessoas se cansarem de gastar com jogos de videogame.

Tendo tudo isso em mente, como é possível que possa existir gente que ache ruim um console receber suporte indie? Enquanto você continua destruindo o Wii U com o seu choro, a Nintendo vem fazendo um trabalho louvável e invejável.

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2 pensamentos sobre “INDIES DOES WHAT THIRDON’T!

  1. Temos que diferenciar, reclamar por não ter suporte das big publisher é uma coisa, reclamar que terá suporte indie para destacar que não tem suporte das grandes thirds (agora vai precisar de um termo para isso), não é a mesma coisa.

    Se criou uma ideia que é culpa da plataforma possuir ou não o apoio das desenvolvedoras, por culpa de todo o papo de que um hardwere é melhor que outro, então começou a se transferir a responsabilidade de “atrair” desenvolvedoras para o dono da plataforma.
    Que o dono da Plataforma deve “investir” não só em hardwere, mas nas próprias 3ºs.

    Querer um hardwere melhor para que as pessoas queiram publicar seus jogos é dever da plataforma sem duvida, mas “atrair” as terceiras a publicar com investimento direto, é a coisa mais perturbadora, porque quem faz esse investimento é a PUBLISHER!!!, se é pra plataforma bancar um jogo na sua plataforma, pra que existe a Publisher? Claro que há donas da plataforma que preferem pagar para receber jogos é o mesmo que os donos de filmes pagassem os cinemas para exibirem seus filmes, e os cinemas só precisam chamar o publico e faturar, não tem mais mamata que isso. negocião da china, quem vai querer publicar em uma plataforma que não investe numa publisher?

    Só que ae apareceu quem vai se aproveitar desse pulo do gato das publisher, os desenvolvedores começaram a perceber isso, porque aceitar as imposições e limitações criativas se hoje conseguem atingir o grande publico e todas as plataformas sem a Publisher, pra que dividir o lucro do seu trabalho com quem esta apenas usando o desenvolvedor e a plataforma?

    Hoje os indies são pequenos, projetos pouco ambiciosos porque são os primeiros titulos sem investimento de Publisher, quando essas indies começarem a crescer e se tornarem solidas, os valores que giram na publicação dos jogos vai fazer quem depende hoje dessa manobra de exploração e “exclusividade” se coçar, cada vez menos desenvolvedoras vão precisar de recursos das publicadores, e podem viver livres.

    A industria dos videogames esta caminhando para um crash diferente, um crash muiito parecido com o que a industria fonográfica enfrentou com a criação do Mp3 e da livre distribuição de musica pela internet.

    • O problema é os pseudo-fãs da Nintendo conseguirem a façanha de conseguir distorcer isso como algo ruim. Pode ter certeza que a Sony e a Microsoft desejariam ter um repertório indie tão grande no PS4 e Xbox One quanto no Wii U. Achar isso uma coisa ruim é ofensivo em muitos sentidos.

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