O fim da Nintendo no Brasil

Hoje, pelo período da tarde, veio a notícia de que a Gaming do Brasil não mais representará a Nintendo no país, resultando no fim das atividades da companhia de Kyoto no Brasil. De acordo com o diretor de marketing para a América Latina da NOA, Bill Van Zyll, a culpa é principalmente da altíssima carga tributára que incide sobre produtos relacionados à jogos no país (uma vez que eles são considerados “jogos de azar” na hora de aplicar os impostos).

Eu não vou dar uma de gamer brasileiro chorão, sair xingando impostos ou a própria Nintendo por aqui, porque todo mundo já está fazendo isso, não vou entrar nesse barco, eu quero fazer uma conversa mais civilizada sobre a situação. A grande verdade é que a participação da Nintendo no mercado brasileiro já vem se mostrado precária há muito, muito tempo. Começo citando alguns pequenos fatos, a Nintendo é a única das três a não mudar sua loja virtual para suportar as novas regras dos bancos para uso de cartões de crédito internacionais, coisa que Sony e Microsoft solucionaram em poucos dias e a Nintendo ficou sem mexer um dedo para isso por mais de UM ANO. Com o dinheiro em caixa da NCL, que ultrapassa os mais de 4 bilhões de dólares, a Nintendo poderia ter entrado por conta própria aqui no país começando por um escritório e um centro de distribuição, assim como a Gaming do Brasil já operava, mas nem isso ela fez, preferiu confiar no trabalho da Juegos de Video Latinoamerica, a dona da GDB, e nos deixar a mercê de uma companhia que sempre fez um trabalho de péssima qualidade mesmo para mostrar ao povo brasileiro que ela era a fachada da Nintendo no país, com isso dito, sim, eu odeio a Gaming do Brasil e adorei saber que ela não vai mais trabalhar com nada relacionado à Nintendo.

Quanto à carga tributária do país, certamente elas são abusivas, isso nem tem como discutir, mas elas estão se tornando mais um problema social do que financeiro. O brasileiro é obcecado por produtos top de linha, fazem questão de ter tais produtos à despeito de quaisquer impostos incididos nele, o que acabou deixando o brasileiro acostumado a pagar tais taxas em simplesmente tudo! O que nos leva à outro tópico que muito tem a ver com isso, margens de lucro, o Brasil possui uma das maiores margens de lucro do mundo, especialmente para bancos e indústria automobilística (sabiam que a Fiat do Brasil gera mais receita que a matriz da Fiat na Itália?), lembram do folclórico preço de R$4000 do PS4 brasileiro importado oficialmente pela Sony? Logo que ele veio à tona, as pessoas começaram a fazer o que estão fazendo agora, culpando os impostos, o que se tornou uma atitude totalmente regida pelo nosso senso comum, porém no mesmo período em que esse preço surgiu, um analista de uma firma financeira provou que só a metade daquele preço era relacionada à fabricação, distribuição e impostos, a outra metade eram a margem de lucro da Sony e do revendedor local, a Sony aceitou vender o PS4 por aquele preço na época porque sabia que existiram pessoas dispostas à afortunar R$4000 naquele que é o console de maior sucesso comercial atualmente… Além do mais, a linha de produção de PS3 que a Sony abriu em Manaus sequer tem um ano de existência, a Sony brasileira sabia o que estava fazendo, ela queria que as massas comprassem o PS3 fabricado no Brasil e venderia o PS4 só para a elite para garantir que ela saísse no lucro.

Percebe o que eu estou tentando fazer aqui? Eu não estou culpando diretamente nem a Nintendo e nem a carga tributária, estou distribuindo a culpa para ambos os lados: À Nintendo que, por falta de interesse, não se esforçou em investir de verdade no Brasil, e as cargas tributárias por terem deixado de ser um problema econômico e sim social. Porque essa é a verdade, a Nintendo não tem condições de competir no mercado brasileiro, ainda mais com um produto como o Wii U, que é praticamente um console de nicho à essa altura do campeonato e carece de algo que muito lhe faz falta, suporte das third-parties.

Com o fim da Nintendo no Brasil, a única forma de comprar produtos da companhia passou a ser por meio das eShops dos EUA e Canadá mais um cartão de crédito internacional, ou se você só compra jogos físicos assim como eu, encontrará através de vendedores independentes, MercadoLivre e o chamado mercado cinza. Espero do fundo da minha alma que a companhia dona de Super Mario e Pokémon volte aqui e seja representada por uma empresa melhor.

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