Super FOG vs. EarthBound

Introdução: Antes de mais nada, eu queria ter escrito um review para esse jogo ainda no tempo em que lamentávamos o falecimento de Satoru Iwata, mas naturalmente jogar o jogo e completá-lo é algo que demanda tempo. Não apenas isso, eu resolvi jogar o jogo duas vezes por causa do quanto eu gostei do jogo. Porém, só pra não dizer que não é uma data especial, hoje é o segundo aniversário deste blog, obrigado a todos os leitores, espero que continuem lendo.
Enfim, vamos ao review. EarthBound, chamado de Mother 2 no Japão, é uma criação de Shigesato Itoi, um homem famoso atualmente pelo seu site de notícias e que participou como diretor e roteirista dos três jogos da série Mother, incrivelmente popular no Japão. EarthBound age como sequência do primeiro jogo lançado para Famicom (e anos depois para o VC ocidental do Wii U com o nome EarthBound Beginnings), ele conta a história de um garoto chamado Ness que, após a queda de um meteoro em uma colina próximo à sua casa, descobre que tem poderes psiquicos e é o escolhido, junto de mais outras três crianças, para combater e derrotar o invasor alienígena chamado Giygas, boa parte da aventura é focada em causar reações sortidas e profundas aos sentimentos do jogador, muitas vezes colocando os protagonistas em problemas e situações adultas, porém tudo regado à doses maciças de bom humor e piadas que permanecem atuais até hoje. EarthBound, embora tenha sido um fracasso em vendas quando lançado originalmente para Super Nintendo, conseguiu produzir uma das fanbases mais unidas e devotas da indústria, consolidando o jogo como um clássico cult.

O jogo em si: Sendo um jogo do gênero RPG, espera-se que EarthBound tenha vários aspectos do gênero: Batalhas por turnos, evolução por níveis do protagonista, dezenas de lugares a se visitar e tarefas a se realizar, mas as semelhanças com o gênero terminam aqui. EarthBound é um jogo único em maioria dos seus aspectos, sai a temática medieval fantasiosa e entra uma versão caricata de uma América do Norte contemporânea dos anos 90, sai os protagonistas musculosos e cheios de equipamentos até o pescoço e entra quatro reles crianças com habilidades especiais, saem as criaturas estranhas e místicas (bem… nem todas) e entram animais de rua, pessoas bêbadas e até objetos vivos como os inimigos comuns, o conjunto de chefes ainda incluem um líder de gangue, um oficial de polícia, animais mutantes, estátuas endemoniadas e, obviamente, alienígenas, que são os inimigos principais da trama. As mecânicas de combate incluem o uso de poderes psíquicos, utensílios do cotidiano como armas (tais como taco de beisibol, frigideira, ioiôs, estilingue, etc.), um sistema de HP em forma de hodômetro, que não decresce todo o dano sofrido de uma vez e sim em um ritmo determinado, o que permite ao heroi, mesmo após sofrer dano mortal, dar um último ataque e acabar com a luta antes que o HP se zere completamente ou usar um item de recuperação a tempo (itens esses também baseados em coisas do cotidiano, Hamburgeres, Pizzas, sucos de fruta, café, ovos e etc.).

A história: Como dito previamente na introdução, você controla um garoto chamado Ness que descobre que tem poderes psíquicos e é o escolhido para combater Giygas, o destruidor cósmico universal, para isso, Ness deve se aliar a mais três crianças além dele e coletar o poder dos oito santuários espalhados pelo mundo do jogo, e assim obter o poder necessário para parar a ameaça alienígena. As crianças que se unem a você são:
Paula, uma garota com incríveis poderes psiquicos e com a habilidade de se comunicar por telepatia com os outros membros em determinados pontos da aventura;
Jeff, um garoto super gênio que apesar de não ser capaz de usar poderes psiquicos pode consertar coisas e usá-las como armas;
Poo, um príncipe oriental com habilidades únicas.
A aventura é marcada por situações que chegam a brincar com os sentimentos do jogador (que se envolve diretamente com o jogo na segunda metade), envolvem crianças em coisas de adulto entre outros acontecimentos psicodélicos que renderam uma classificação T da ESRB no relançamento digital do jogo, porém tudo isso é carregado de bom humor e toneladas de referências da cultura pop que, embora maioria sejam da época dos anos 90, algumas permanecem atuais até hoje. O jogo envolve situações como:

>Policiais obcecados por bloqueio de estradas
>Um pai que salva o seu jogo pelo telefone e te deposita mesadas bem gordas baseando-se nas suas lutas
>Telefonar para sua mãe de tempos em tempos para não ficar com saudades de casa e perder a motivação para lutar
>Salvar uma garota de uma seita que venera a cor azul
>Hippies que te paralisam com pastas de dente
>Pagar a dívida de uma banda de jazz com o dono de um teatro… duas vezes
>Resolver os problemas de infestação de zumbis e fantasmas de uma cidade
>Salvar uma raça de criaturas simpáticas de uma pilha de vômito falante
>Escapar de um mundo alternativo negativo controlado por uma estátua do mal
>Aprender a se teletransportar com um macaco
>Conhecer um homem que sonha em ter o corpo fundido à uma masmorra
>Descobrir que o vilão mais recorrente da história é o seu vizinho
>Ter a sua alma transplantada para um robô com o objetivo de facilitar a viagem no tempo

A história de EarthBound é divertida e envolvente, e algumas das situações únicas do jogo te incentivarão a jogar de novo após terminá-lo só para passar por elas de novo.

ALERTA PARA SPOILERS!!

O poder da terra: O objetivo principal do jogo é visitar os oito locais conhecidos como “Your Sanctuary”, através desses, Ness obterá, sob a forma de lembranças do seu nascimento, pedaços de uma música que juntos formam as Oito Melodias (Eight Melodies, no original), após obter todos os oito pedaços musicais, Ness entrará em um sono profundo e sua consciência será transportada para Magicant, o mundo formado em sua mente, lá ele irá rever memórias distantes e recentes, que incluem bonecos de neve, brinquedos esquecidos e personagens que você viu ao longo da aventura, depois você irá enfrentar o seu pesadelo, em uma forma física que usa os mesmos ataques que você, após derrotá-lo, você irá obter um aumento massivo de poder e estará pronto para enfrentar Giygas.

O poder da oração: Após ajudar o Dr. Andonuts a construir uma máquina do tempo, ele irá transplantar as almas dos quatro personagens para corpos robóticos para evitar que eles morram na viagem para o passado, chegando na caverna do confronto final, você descobrirá algumas revelações chocantes. Primeira é a de que Giygas esteve sendo ajudado todo esse tempo por Pokey Minch, o vizinho invejoso de Ness, a segunda é de que o último chefe é uma criatura cuja própria mente foi destruída pelo próprio poder, fazendo dele uma criatura indescritível por padrões humanos. E agora eu digo, sem nenhuma vergonha, que Giygas me causou medo, pois ele foi concebido para dar medo, Shigesato Itoi revelou que a batalha final foi inspirada em um trauma de infância que ele teve ao entrar em uma sala errada no cinema e assistir a uma cena de estupro e assassinato. Qual a única coisa que derrota Giygas? O sentimento humano, é onde entra o comando Pray da Paula, que chama todas as pessoas da terra (incluindo o jogador) a orarem pera segurança de Ness e seus amigos, assim causando dano e eventualmente triunfando sobre o duelo final.
Depois que o inimigo é derrotado, as almas se separam dos corpos robóticos destruídos e voltam para o presente em seus corpos originais. O que aconteceu ao Pokey depois da luta permanece um mistério, Ness se despede dos seus amigos, acompanha Paula para a casa dela como todo bom cavalheiro e, por fim, volta para a sua casa e conta a sua mãe todas as histórias vividas enquanto observam o álbum de fotografias com fotos que o fotógrafo tirou de você e seus amigos em vários momentos do jogo.

Gráficos e som: Uma crítica recorrente da época em que EarthBound foi lançado originalmente eram os seus gráficos, que estavam aquém daquilo que o SNES era capaz de fazer (especialmente numa era depois de Donkey Kong Country e Kirby Super Star), porém o seu estilo de arte se tornou muito querido entre os fãs e acabaram se tornando um charme da série, tanto que foi reaproveitado sem sua sequência Mother 3 para GBA.
No departamento sonoro, nós temos um show! A trilha sonora deste jogo é fantástica! Uma quantidade massiva de músicas dos mais sortidos gêneros, com os mais sortidos humores que que faz o jogador esboçar as mais sortidas sensações. Arranjos como New Age Retro Hippie, os temas de Fourside e Winters, e alguns temas de batalha estão entre as canções mais memoráveis não só da série mas de todo universo dos jogos eletrônicos, mas o meu destaque vai para Smiles and Tears, que eu considero a música mais triste que eu já escutei em um vídeo-game.

Veredito: EarthBound é um jogo atemporal, uma experiência indescritível porém memorável, sustentado por uma fanbase sólida e devotada. Recomendado à todos os fãs de RPG e/ou de jogos incomuns, um jogo que te envolverá como nenhum outro.

score90

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s