Super FOG vs. Metroid Other M

Introdução: Por que eu resolvi escrever um review desse jogo? Porque ele completou 10 anos em agosto deste ano, porque este blog está inundado em poeira e porque de uns tempos para cá eu estive muito por dentro do lore da franquia, que está no aguardo de Metroid Prime 4 ainda desde a última vez que eu falei sobre Metroid aqui no blog, lembram? Pois bem, vamos ao review.
Metroid: Other M foi o último jogo da série lançado para Wii (o console mais frutífero para todo fã de Metroid, convenhamos), e também a última entrada na série principal em anos até o lançamento de Metroid: Samus Returns, que é um remake de Metroid II, porém Other M é notório por dezenas de motivos que vocês logo descobrirão! Para muitos este jogo efetivamente causou danos irreparáveis ao personagem de Samus Aran, mas será que esse jogo é ruim ao ponto de ser o Sonic ’06 de Metroid?

A história: Começo deixando um ALERTA IMPLÍCITO DE SPOILERS aqui, vou falar abertamente da história neste parágrafo por ser o mais notório de todos os aspectos de Other M, de fato, este é o jogo mais movido pela história de toda a série… e infelizmente ela é horrível!
Não estou brincando, a história de Other M, que deveria ser o aspecto mais ambicioso do jogo acabou se tornando o mais infame, foi inteiramente escrita pelo diretor de Other M e co-criador e produtor geral da série, Yoshio Sakamoto, que também dirigiu os excelentes Super Metroid, Metroid Fusion e Metroid Zero Mission, então o que aconteceu aqui?
Os eventos de Other M acontecem entre Super Metroid e Metroid Fuision, e começa com a Samus sendo tratada por médicos da Galactic Federation logo após a sua chegada que seguiu a destruição de Zebes.
Inclusive vamos falar rapidamente da atuação de voz, porque pela primeira vez a Samus possui uma voz para os seus incontáveis monólogos ao longo do jogo, provida pela atriz Jessica Erin Martin (que comemorou os 10 anos de Other M no seu Instagram), diferente de muitos fãs eu gostei da voz dela, espero até que chamem a Jessica de novo para a Samus em Prime 4.
Após ser tratada e dispensada, Samus parte para os confins do espaço mais uma vez em busca de uma nova missão, até receber um sinal de alerta que a leva em direção à Bottle Ship, uma gigantesca estação espacial em forma de garrafa. Ao chegar lá, Samus encontra uma nave da GF e se encontra com os soldados do Sétimo Platão, composto por quatro caras esqueciveis, Anthony Higgs que era amigo da Samus e seu ex-comandante Adam Malkovich (antes de virar um computador em Fusion). Embora Anthony receba Samus calorosamente, Adam não está nem um pouco feliz com sua presença e quer que ela não se intrometa apesar dela abrir uma porta com um tiro de míssil e permitir que ele e seu esquadrão continuem, apesar disso Samus continua por perto pra lhes garantir segurança. Mas só após unirem forças para destruir um monstro formado por milhões de insetos que Adam aceita a cooperação de Samus na missão, porém sob a condição de que ela obedeça ao Adam em tudo… ai ai, lá vamos nós… este é o momento em que a história se torna intrusiva na gameplay, pois graças ao excessivo respeito que a Samus tem pelo seu ANTIGO comandante ela se recusa a usar seus power-ups à menos que Adam a autorize! Ou seja, a exploração por novos power-ups, característica da série, é simplesmente atirada no lixo em razão de um elemento de narrativa que não só mancha o personagem da Samus mas também o do Adam!
Durante sua jornada Samus vai descobrindo que a Bottle Ship é de propriedade da Galactic Federation e foi construída com o propósito de estudar e desenvolver armas biológicas, explicando o porquê dela encontrar tantos monstros vindos de Zebes e uma bola de pêlos que você acha insignificante até descobrir que essa coisinha tem um grito estridente que enlouquece a vida selvagem ao seu redor e que ela efetivamente mata e devora um dos soldados do Adam, fazendo o peludinho do inferno evoluir em uma espécie de réptil quadrúpede que tenta empalar a Samus com a ponta afiada de sua cauda… Soa familiar? Já já chegamos nisso.
Posteriormente, Samus encontra uma cientista viva e, ao tentar obter alguma informação, é atacada por um assassino que originalmente faz parte do esquadrão do Adam. Depois de destruir uma máquina de construção pilotada pelo assassino o seu piloto foge e Adam entra em contato com a Samus, avisando de que os rugidos daquela mesma criatura de antes estão enlouquecendo os demais animais ao seu redor e que a ordem agora é exterminar aquela criatura, em seu caminho Samus descobre outra carcaça do monstro, sugerindo que aquilo evoluiu de novo, e ao se reencontrar com Anthony, que está tentando acertar o monstro no escuro nós descobrimos que AQUELA COISINHA BRANCA E PELUDA evoluiu para o RIDLEY!
Ugh… como eu começo a falar do que vem a seguir? Por algum motivo, a Samus, depois de encontrar o Ridley pela sexta vez desde o dia em que o grande lagarto assassinou seus pais quando ela tinha 3 anos, entra em uma crise de pânico e fica paralisada. Confesso que eu não sei como TEPT funciona na vida real, mas considerando que no Prime 3 a Samus ENGASGA o Ridley com o seu arm cannon e descarrega sua munição de misseis na sua goela, é difícil não sentir outra coisa se não frustração em ver a Samus impotente diante do inimigo mais recorrente de toda a série. Se era tão importante manifestar em jogo que a Samus ainda sente algum trauma pelo Ridley isso não é uma coisa que pode ser implementada de forma retroativa como agora! Pois bem, Samus é salva no último minuto por um tiro de plasma do Anthony, o que deixa o Ridley pistola fazendo ele chicotear o Anthony para um poço de lava com a sua cauda, com isso a Samus finalmente volta ao seu normal e procede em esburacar o Ridley, porém antes de receber o golpe final Ridley consegue escapar. Saindo do campo de batalha, Samus percebe que as comunicações com o Adam pararam de funcionar, ela reencontra a cientista de antes, de nome Madeline Bergman, que revela a existencia de um programa de criação e militarização de metroids dentro da Bottle Ship, completo com clones de space pirates, uma replica de Tourian chamada Sector Zero e uma recriação artificial da Mother Brain, de codinome MB. Samus parte em direção ao setor onde tal programa está localizado e após se distrair com uma larva de metroid ela é atingida por um disparo congelante nas costas que desarma sua power suit e a faz desmaiar. Quem deu esse disparo? Adam! Mas por que ele fez isso? Quando Samus acorda, Adam explica que os metroids deste programa foram modificados geneticamente para serem resistentes ao frio, sua principal fraqueza, então Adam decide entrar sozinho nesse setor, causar dano nas estruturas do local para fazê-lo se desprender da estação e se auto-destruir. Adeus Adam, nos vemos no Fusion!
Enfim sozinha e com todo mundo morto, Samus parte em busca de um segundo sobrevivente anteriormente localizado por Adam, chegando na sala onde a sobrevivente foi escondida, Samus descobre o cadáver drenado e petrificado do Ridley e uma colossal Queen Metroid à sua espera! Depois de dar cabo da massiva criatura, Samus finalmente ganha a confiança da mulher que diz ser a verdadeira Madeline Bergman, responsável pela Bottle Ship, revelando que a mulher encontrada antes pela Samus era a MB todo o tempo no corpo de um andróide. A responsável da nave explica que ela foi criada com o propósito de controlar os metroids e space pirates, mas conforme seu intelecto foi evoluindo os outros cientistas foram vendo-a como uma ameaça e planejaram encarcerar MB, ela se revolta e comanda toda a vida selvagem do local a destruir todos os humanos ali presentes. Enquanto Samus e a cientista conversavam, MB aparece se preparando para executá-la, porém mais soldados da GF aparecem de repente e põem fim à loucura. Sim, não há uma batalha final propriamente dita. Um coronel aparece e diz pra Samus dar um fora de lá, ela e a cientista são escoltadas por um soldado que se revela ser o Anthony, o último sobrevivente do esquadrão do Adam, os três voltam pra casa, rola o último monólogo da Samus e o jogo acaba…
Não exatamente, após os créditos finalmente temos acesso ao pós-jogo, onde a Samus volta sozinha à Bottle Ship para buscar algo que esqueceu, o capacete do Adam, e no meio desse rolê ela reencontra um inimigo do passado, Phantoon do Super Metroid, agora sim uma batalha final de verdade! Depois de explodir o fantasma do espaço e recuperar o capacete do Adam, Samus dá o fora da Bottle Ship antes dela se auto-destruir e enfim o jogo acaba de verdade.

Meu Deus! Olha quanto tempo eu perdi só falando da história do jogo! Nem comecei a cobrir o jogo em si! Pois bem, eu tentei resumir ao máximo a ordem dos acontecimentos mas como devem imaginar, essa históra está impregnada em tudo quanto é lugar, e ela é uma bagunça! Não pelo excesso de falatório mas por ser factualmente ruim! Parece muito como uma fanfic escrita por um fã qualquer, o Adam não tem sequer nenhum desenvolvimento nesse jogo, ele é só o panaca que fica sentado numa cadeira e impedindo a Samus de usar todo o seu arsenal de uma vez, a Samus faz exaustivos monólogos a cada única cutscene desse jogo, muitas das vezes remoendo a larva de metroid que salva a vida dela no final do Super. Meu personagem favorito nessa história toda é o Anthony, por ser o único a ter uma personalidade apresentada e propriamente desenvolvida, por factualmente demonstrar preocupação pela Samus e de certa forma por ser um alívio cômico muito necessário nesse festival de monotonia! Com isso dito, não vamos mais perder tempo com isso e vamos falar do jogo!

O jogo em si: Buscando um esquema de controles mais simplificado, Other M abre mão do Nunchuk e é jogado somente com o Wiimote na horizontal, sim, um jogo com movimentação 3D controlado com um d-pad, mas por incrível que pareça é funcional, embora um analógico seja insubstituível nesses casos. Segundo o próprio diretor Sakamoto, a idéia era que o jogo se controlasse como o Metroid de NES, com o mínimo de botões necessário em ordem de torná-lo apelativo à novas audiências, que era o público alvo da Nintendo nos tempos do Wii, e de novo, até que funciona, mas analógicos são o futuro.
O level design é ajustado e funciona, porém há zero exploração neste jogo, o que para um Metroid é uma falha gritante, primeiro por você estar limitado somente ao uso de power-ups que o Adam autorizar, segundo por todo o seu progresso estar sendo ditado por portas trancadas, é uma linha reta do começo ao fim salvo pelos costumeiros missile tanks e energy tanks espalhados por aí, por causa da gimmick de autorização não há como quebrar sequências e só há DOIS power-ups obtiveis neste jogo.
Novo neste jogo é a habilidade da Samus entrar em combate corpo a corpo com alguns inimigos através do Sense Move, onde ela pode contra atacar ataques inimigos com golpes, tiros à queima-roupa e até arremessos, o Sense Move também permite desviar de projéteis e carregar seu Charge Beam instantaneamente. Confesso que eu gostei disso, gostei da ênfase em combate, é legal ver que quando a Samus precisa sair no braço ela sai sem hesitar (tanto que isso foi implementado também em Samus Returns). Entre os power-ups as novidades estão no Diffusion Beam, que faz seu Charge Beam explodir e emitir energia ao seu redor no contato com inimigos, com a perspectiva em terceira pessoa um movimento desses se faz muito necessário, o outro power-up inédito é o Seeker Missle, que permite atirar vários mísseis em sequência para acertar múltiplos alvos ao mesmo tempo, infelizmente esse é mais usado no post-game do que na aventura principal.
Outra novidade da gameplay é o modo em primeira pessoa, que apesar do termo não tem nada a ver com o que vimos no arco Prime, o modo em primeira pessoa é ativado ao apontar o Wiimote na tela e serve basicamente para examinar e investigar coisas, e também só neste modo é possível disparar mísseis, e por algum motivo muito idiota não é possível se movimentar neste modo, fazendo com que enfrentar inimigos que só são vulneráveis à misseis seja absolutamente frustrante, porque eu preciso trocar o Wiimote de posição à todo santo momento só pra ter uma melhor posição, é intrusivo e absolutamente desnecessário!
Como mencionado anteriormente, Samus já está equipada com todos os power-ups obtidos em aventuras anteriores mas Adam não os deixa usar de imediato sob a justificativa de prevenir dano colateral aos membros do seu esquadrão e à possíveis sobreviventes, especialmente quanto às Power Bombs (que são factualmente a arma mais perigosa da Samus, e realmente fizeram parecer nesse jogo, onde a Power Bomb causa uma explosão nuclear ao ser detonada), MAS… por que diabos o mesmo se aplica aos power-ups de proteção e mobilidade, como a Varia Suit, Gravity Suit, Space Jump e Grapple Beam?? Essa forma estúpida para se obter power-ups é injustificável em termos de design, é algo que realmente só foi imposto por causa da bendita narrativa falha, tudo bem que jogar com máximo poder desde o começo pode deixar o jogo quebrado, mas isso… isso é inaceitável e ponto final!
Em termos de power-ups clássicos em si, eles até funcionam exatamente como você espera, os Ice Beam, Wave Beam e Plasma Beam automaticamente se empilham quando são liberados, Super Missles agora são um upgrade para os mísseis originais e requerem um breve carregamento para serem usados, o Grapple Beam só pode ser usado em primeira pessoa e funciona como nos jogos Prime e em Super, só pode ser usado em pontos específicos, o icônico Screw Attack está de volta e seu poder é extremo! Destrói muitos inimigos instantaneamente, a Varia Suit como se espera protege de dano pelo calor e aumenta sua defesa padrão e a Gravity Suit finalmente faz jus ao nome e te protege de mudanças de campo gravitacional, além do usual efeito de melhorar a mobilidade na água.

Visuais e Som: Graficamente falando, o jogo é muito bonito, o design da Samus com e sem armadura ficou excelente, e felizmente, apesar de o jogo ser co-desenvolvido por uma equipe da Koei Tecmo e seu histórico de mulheres ultra-sexualizadas, a Samus manteve um visual discreto até, e boa parte do jogo é jogado com ela dentro da power suit, os vários setores da Bottle Ship são bem vívidos e as batalhas contra chefes são espetaculares, mas o melhor de tudo são as cutscenes em CGI, animadas pelo estúdio D-Rockets, são frenéticas, bem detalhadas e te fazem esquecer que vc está jogando um jogo que não tem gráficos de alta definição.
Por outro lado, sonoramente falando, é muito ruim. A direção de efeitos sonoros é a coisa mais memorável, porque as músicas são simples demais, não passam nenhuma sensação atmosférica e em vários momentos ela é inexistente! A única possível exceção é o tema da batalha contra o Ridley, que é a composição mais bem feita neste jogo inteiro. Por último a sua notória dublagem que, com exceção da própria Samus e talvez do Anthony, é horrorosa, nenhum pouco memorável e, pela enésima vez, os monólogos são extremamente cansativos!

Mas antes de encerrar o parágrafo, vale eu deixar uma nota pessoal aqui: Eu não tenho problema nenhum com a Samus ativamente falando! Muitos acham melhor uma Samus silenciosa como sempre foi em todos os demais jogos da série (com exceção de Fusion, onde ela fala por caixas de texto), mas francamente, do meu ponto de vista (o qual você é livre para discordar), a Samus não é uma casca vazia como Mario ou Link, que são intencionalmente mudos pela proposta de ter o jogador se enxergando neles, a Samus é um dos poucos personagens da Nintendo com um atual desenvolvimento de história e personalidade, então faz muito sentido ela falar, o silêncio é mais atribuído à solidão de suas aventuras, porém como vemos em Fusion ela não está sozinha e fala frequentemente, só que não de uma maneira intrusiva, cansativa e repetitiva como em Other M, então eu espero muito que tenhamos novos jogos Metroid com uma Samus falante, contanto que a solidão não seja um fator chave do jogo, claro.

Veredito: Pelo tamanho da análise, pode parecer que eu abordei em mínimos detalhes o jogo, mas não, ainda ficou faltando mencionar muitos detalhes, mas eu não fiz isso porque precisei dissecar a história horrorosa desse jogo para deixar bem enfatizado o quão problemática ela é e o quanto ela deixa o jogo desconexo do que se espera em um Metroid. Mas honestamente o jogo não é de todo ruim, pelo menos não ruim como um Sonic ’06 da vida, o jogo foi bem desenvolvido, polido, a gameplay por mais estranha que seja é funcional, o level design tinha um potencial ENORME para ser uma excelente aventura 3D em terceira pessoa. Porém capar os principais elementos de Metroid em detrimento de uma narrativa altamente questionável faz esse jogo parecer um vazio na timeline da série. Recomendo só a quem for muito, muito fã da franquia.

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